
Quando termina o filme "O último Samurai", como judoca fiquei com a nítida sensação que, naquele momento, começava outra história que podia ser relatada em várias horas de filme.
Na juventude de Jigoro Kano (fundador do Judo Kodokan) a restauração da ordem imperial já tinha ocorrido (a Restauração Meiji, 1868) e a era dos samurais havia terminado. Os antigos samurais, para sobreviverem, entregam-se ao ensino das artes marciais.
Essa foi a era em que o Japão emergiu de anos como um país feudal, simbolizado pelo sistema de classes, tornou-se uma nação nova e moderna, abandonando os costumes do passado.
A sociedade japonesa e suas instituições começaram a afastar-se dos valores asiáticos mais tradicionais em troca do modelo ocidental de educação, economia e governação.
É por esta altura que começa a "outra história" que leva ao aparecimento do Judo que, apesar de modalidade olímpica (com todos os princípios que isso implica) não deixa de ser descendente e estar impregnado com o espírito Samurai.
No livro com o título "Mind Over Muscle" (escritos do fundador do Judo), Mestre Jigoro Kano diz a dado passo:
"Tendo em vista que o judo se desenvolveu com base nas artes marciais do passado, os praticantes de judo deveriam transmitir às futuras gerações tudo o que os praticantes das antigas artes marciais valorizavam. O espírito Samurai, por exemplo, deveria ser celebrado mesmo na sociedade actual. Os antigos Samurais valorizavam a honra e a integridade, mas hoje parece que tais conceitos foram deixados para trás, à medida que as pessoas se tornam excessivamente egocêntricas. Em momentos difíceis, a capacidade de superar dificuldades, suportar, ter paciência, preservar a honra e manter um espírito de integridade são de grande valor, acima de tudo. Eu gostaria que as pessoas que praticam o Judo honrassem esse espírito Samurai."